Como realmente é, ser mãe


Eu tinha 21 anos, fiz o teste de gravidez no banheiro de casa e descobri que estava grávida.

Eu não me senti apavorada, em nenhum momento pensei se meu namorado aceitaria ou não, eu não estava nem um pouco preocupada com isso, minha preocupação era a mãe que eu seria, como ia ser dali por diante.

Incrível como alguns momentos da vida a gente olha e sabe  quanto são cruciais, eu não esperava ter um bebê, pelo menos ainda não, tomamos todas as precauções e por um descuido, que eu sinceramente sequer lembro qual foi, ali estava eu no banheiro me descobrindo grávida.

A notícia me deixou atordoada, eu não contei pra ninguém, nem para o Chris, eu queria me adaptar primeiro, e então eu poderia dizer as palavras em voz alta.

Quando eu decidi que era a hora já havia se passado mais de uma semana.

Ele aceitou bem, ficou feliz e disse que iria me apoiar, quanto a casar ou coisa assim decidimos que talvez fôssemos morar juntos antes do bebê nascer porque ele queria estar perto e me ajudar em tudo. Não posso reclamar dele, era um homem incrível, já com seus 26 anos, nunca foi um galinha baladeiro, sempre me tratou bem e acho que era justamente por isso estávamos juntos há 3 anos quando eu engravidei.

Com 4 meses e meio de gestação estávamos com o apartamento pronto e sabíamos que teríamos uma menina. Achei que ele ia ficar decepcionado, mas ele gostou da ideia de ser pai de uma princesinha.

Durante toda a gestação nós nos aproximamos muito um do outro, aprendemos mais sobre nós e consolidamos uma união saudável.

Uma noite aos 7 meses de gravidez eu percebi o quanto a minha filha havia transformado a minha vida, ela nem tinha nascido ainda e já tinha revirado tudo, por dentro e por fora.

O parto foi tranquilo, foi natural e eu pude sentir minha Felipa vindo ao mundo pouco a pouco, o nome escolhemos juntos, achamos ele lindo e, desde que escolhemos, sempre nos referimos a ela como a nossa Felipa. 

Vê-la foi uma das coisas mais lindas que eu me recordo de ter vivido, os cabelos castanhos, o rostinho inchado e o choro sentido de estar num mundo novo e desconfortável.

Depois daquele dia tudo é novidade, cada coisinha me faz sentir que eu não sei nada sobre ser mãe, eu não sabia que era tão difícil trocar fraldas, nem que o nascimento dos dentinhos iriam fazer meu coração se partir tanto, ouvindo aquele chorinho dolorido das gengivas se rasgando.

Com a minha filha eu aprendi que estar errada é uma constante, perdi a conta, de quantas pessoas palpitaram e disseram todas as coisas que eu deveria ou não fazer. Eu me apavorava com facilidade porque eu achava realmente que estava errada, eu queria ser uma boa mãe, mas a minha bebê não parava de chorar, me tirava o sono, me fazia sentir exausta e eu me sentia feliz e desolada, como se o parto tivesse simplesmente me quebrado ao meio.

Perdi a conta de quantas vezes me senti tão esgotada, queria poder voltar no tempo e não ter engravidado, em seguida me sentindo a pessoa mais horrível do mundo por pensar algo assim, porque eu a amava, mas ela era algo que tinha me mudado tanto...

Eu não estava pronta, não acho isso um problema, na verdade eu acho que nenhuma mulher nunca está pronta para ser mãe, ninguém te prepara para o que é a maternidade, a gente passa a vida acreditando que ser mãe é uma coisa natural, que é a essência feminina, que sempre saberemos o que fazer, mas não é assim, não é tão simples e muito menos um dom, é um exercício diário, é chorar e se sentir péssima, é tomar um banho de 10 minutos e sentir que conquistou o mundo, é ter uma noite inteira de sono e assim que abrir os olhos sentir pavor de "e por que ela não chorou ainda?" correr pro berço para ver se está tudo bem. A maternidade é um abandono, é você se esquecer de quem é, é perder os seus sonhos e multiplicar os medos, é maravilhoso o amor que eu sinto por ela e a gratidão que ela, mesmo sem sequer compreender, me dá todos os dias com seus olhinhos brilhantes.

Eu amo a minha filha, não me arrependo de verdade de ter tido ela, mas tenho um pavor enorme de errar uma vírgula.

Esse medo não é ensinado, minha mãe teve 3 filhos e nunca me disse como era difícil, as pessoas exaltam apenas o lado bom e isso não te prepara pra realidade. Sinceramente, eu me parti ao ter a Felipa, algo em mim se quebrou, não acho isso ruim, mas foi difícil compreender no começo.

Hoje a minha filha está com 6 anos, é uma menina linda, cheia de vida, me tira do sério e faz eu querer esganá-la pelo menos uma vez por dia.

Em todo caso, eu a amo e com o tempo eu aprendi a amar o meu eu mãe, hoje grande parte do medo se foi, eu tenho mais confiança em decidir as coisas e não ligo tanto para a opinião dos outros. Meu marido é um ótimo pai e acho que isso também em ajudou muito, ele esteve do meu lado nos momentos realmente desesperadores dessa jornada e muitas vezes repetiu que eu estava me saindo bem e que acreditava que eu poderia ser mãe, isso me ajudou muito e eu sempre serei grata por isso.

Essa semana uma amiga me perguntou, se não queremos outro filho eu ponderei essa ideia por alguns dias, mas por fim achei que não, é melhor assim como está, não faço questão de ter um outro bebê, eu já fui mãe, já experimentei esse lado meu, mas não vejo necessidade de viver tudo de novo.

Eu só quero dizer uma coisa pra você, mulher que está lendo isso, você não está louca, esse turbilhão é normal, o  medo que está ameaçando te devorar é normal, eu senti ele também. Não deixe que o mundo te faça sentir assim tão mal, você ama o seu bebê, sabe disso, o fato de estar cansada não muda nada, você ainda o ama e daria a vida por ele se fosse preciso, então desencana mulher, vai passar ok? Prometo!

Seja feliz e abrace todo o amor e o dessabor que é ser mãe...

Fonte da Imagem



Nem todos que vagam estão perdidos

Essa frase é tão profunda, tão imensa em seu significado...

Já parou para pensar que estar andando em círculos não necessariamente te faz uma pessoa perdida? Quantas vezes você sabia exatamente aonde queria ir, mas não sabia o caminho que poderia seguir para chegar até lá?

Essa verdade nos abrange em todos os sentidos. Está na pessoa que ama o outro, mas não sabe vivenciar isso. Está no empreendedor que começa o sonho do próprio negócio, mas não sabe como administrá-lo. Está no sonho de trabalhar em uma determinada área, mas nunca se arriscar porque acha que não vai dar certo. Está no casamento que deu errado porque um dos dois (ou os dois) não se comprometeram totalmente e deixaram o amor morrer. Está em tudo, em todos os nossos momentos, em todos os fracassos, em todas as derrotas, em todas as vezes que você quis muito alguma coisa, mas não soube lidar com o que isso iria requerer de você.

Não é o destino que te assusta, é o caminho, como quando você quer viajar para o outro lado do mundo, mas morre de medo de andar de avião.

E antes que isso te desanime, deixe que eu tire esse fardo das suas costas, estar vagando é normal, todos nós vagamos as vezes, o importante é sempre ter a sua bússola em mãos para encontrar o seu norte, para voltar para a estrada e seguir em direção ao objetivo.

Talvez você se perca no caminho, talvez resolva mudar de direção do nada e isso não diz respeito aos outros, diz respeito a você, onde quer chegar, o que quer vivenciar, se quiser ir pelo caminho mais longo ou se quiser sentar na beira da estrada e olhar as estrelas, isso tem a ver com a sua jornada e a sua felicidade e você não deve se desculpar ou se sentir mal ou incorreto por fazer essas escolhas.

Ande para o onde o sol te levar e seja feliz no percurso, guarde suas recordações e saiba que as melhores jornadas são trilhadas por pessoas que mudaram de ideia diversas vezes, conheceram várias estradas e podem dizer com certeza o que desejam porque já vagaram e não estão mais perdidos.

Não queira saber onde quer ir muito cedo, pois quem muito cedo sai de casa, muito cedo chega e muito cedo se acomoda e a comodidade não mais te permitirá vaguear e explorar.

Então seja autor dos seus caminhos e saiba que...




SER MODELO

Olá, quero contar a minha história, a história de como eu me tornei uma modelo, top internacional. Tentarei ser breve, mas já peço desculpas se por acaso acabar me alongando demais.

Eu me chamo Amanda, hoje estou com 25 anos. Nasci em uma cidade pequena, aquelas cidades de interior, em que todos tem sotaque caipira e todo mundo conhece todo mundo.

Estudei em escola pública sempre e, um belo dia, já no ensino médio apareceu um agente. Ele trabalhava em uma agência de modelos e estava divulgando uma seleção, que seria no fim de semana seguinte. Na época eu tinha 15 anos, mas era uma moça bonita, cabelo  e olhos castanhos e era a mais alta dentre as minhas colegas de classe. 

Seria bobagem dizer que não me empolguei, minhas amigas ficaram eufóricas e decidimos ir todas juntas na seleção. 

Meus pais eram muito conservadores e não queriam me deixar ir, mas consegui convencer eles a deixarem.

No dia da seleção, fomos eu e mais 4 amigas para o local do evento, lá preenchemos um formulário e fomos encaminhadas para um lugar onde tinham várias araras de roupas, sapatos e acessórios. Escolheram roupas para nós, nos maquiaram e arrumaram nossos cabelos, fotografamos em um estúdio e tivemos uma breve aula de como desfilar, foi divertido, estávamos muito empolgadas. 

Passaram-se alguns dias e meu telefone tocou, era o tal agente, me dizendo que tinham gostado das minhas fotos e que queriam conversar comigo e com minha família, meus pais concordaram e assim foi dado o start da minha carreira.

Ele me ofereceu um contrato de experiência, eu ganharia apenas pelos trabalhos que fizesse e parte do lucro ficaria para a agência, meus pais acharam razoável e concordamos em assinar. 

Cerca de um mês depois surgiu o primeiro trabalho, era para fotografar uma linha de roupas para uma loja, mas o que eu não esperava era a exigência que veio junto, eu teria que perder peso, na época com meus 1,75 de altura eu pesava 64 quilos, mas eu teria que baixar meu peso para no máximo 58, mas o pior é que eu teria apenas três semanas para cumprir a exigência, aceitei mesmo assim e comecei uma dieta que vi na internet. 

No prazo estipulado estava pesando 57,5 quilos e fui aceita para fotografar, rendeu pouco, porque a parte da agência não cobria gastos como viagem e alimentação, logo, como eu era menor de idade e tive que levar minha mãe junto gastamos passagens de ônibus, uma noite em um hotel e a alimentação durante a estadia.

Com o tempo surgiram mais trabalhos, alguns pediam para que eu estivesse bronzeada, outros para que eu tingisse o cabelo ou usasse peruca, comecei a gastar com tratamentos para o cabelo e pele, além de muita maquiagem, tive de desembolsar um bom valor fazendo meu book de modelo e aos poucos fui sendo engolida pelo trabalho.

Aos 17 anos eu já pesava 54 quilos, ia mal na escola porque viajava muito, as vezes desmaiava de fome por causa das dietas, comecei a ter enxaqueca e deficiência de vitaminas. Minha médica me encaminhou para uma nutricionista que me deu a dieta mais absurda do mundo, que consistia em fazer eu aumentar meu peso, para no mínimo 58 quilos, mas meus trabalhos pediam cada vez menos peso, comecei a comer para saciar e vomitar no banheiro antes de digerir, assim eu adquiri bulimia e como consequência entrei em processo de anorexia, mas a carreira ia bem obrigada.

Consegui manter meus 54/55 quilos até meus 19 anos, então passei por uma seleção para uma agência maior e fui morar em Milão com outras modelos na república da agência. Lá as coisas começaram a ficar sérias porque minha mãe não estava ao meu lado para me controlar.

Comecei a comer cada vez menos, mesmo assim as empresas escolhiam muitas vezes outras modelos por eu não estar no “padrão” e assim me afundei de vez. 

Aos 20 anos eu entrei no estágio mais grave da anorexia e passei meu aniversário de 21 anos internada em um hospital, estava começando a ter sérios problemas de saúde, muitas deficiências de vitaminas e tudo que eu conseguia pensar era que eles iriam me entupir de comida e que eu ia regredir meses no meu processo de emagrecimento, eu estava irritada demais, teria que voltar com as dietas assim que saísse do hospital.

Lembro que nessa época minha mãe chorava muito e se arrependia de ter me dado força para começar essa carreira, mas eu me chateava com ela, dizendo que eu estava feliz, que eu morava em Milão, com as despesas pagas pela agência e que era isso que eu queria. Então, ela chorava ainda mais e dizia que eu só podia estar cega.

O baque veio quando eu recebi a visita de uma psicóloga. Ela sentou na cadeira que ficava ao lado da minha cama e fez a seguinte pergunta:

- Você tem o sonho de morrer? – ela tinha uma expressão serena e me olhou bem nos olhos para que eu respondesse.

Fiquei chocada com a pergunta, realmente abalada e respondi.

- Quem sonha em morrer? Eu quero viver muito e ser ainda muito feliz! 

Então ela olhou para mim por alguns instantes com olhar pesaroso e pegou alguns papéis que estavam em suas mãos.

- Estes são os seus exames Amanda. Você tem deficiência de vitaminas, minerais, baixa porcentagem de gordura, hipoglicemia severa, baixo teor de sódio, cálcio, zinco e ferro. Isso se deve a sua excessiva perda peso, isso se deve a sua bulimia e anorexia, se deve as dietas restritivas que você faz. Falei com sua mãe antes de vir aqui conversar com você e ela me disse que você está feliz por estar vivendo o seu sonho de ser modelo. Então Amanda, vou te falar a verdade dura e cruel que eu acho que você ainda não compreendeu. O seu sonho de ser modelo vai ser responsável pela sua morte precoce. Eu já tratei inúmeras moças como você, meninas lindas com um sonho de serem modelos, de viajar o mundo desfilar e ganhar dinheiro, mas que acabaram exatamente onde você está agora, em uma cama de hospital, muitas delas em coma, porque a deficiência de todos os nutrientes do organismo era tão severa que elas nem conseguiam mais se manter conscientes. Eu vim hoje aqui para te dizer isso e quero que você faça uma escolha, viver ou ser modelo? Porque com as medidas que você tem hoje pode ser que você consiga bons trabalhos, mas eu garanto a você que não adiantará nada ter bons trabalhos se você não puder sequer caminhar sozinha devido a fraqueza do seu organismo.

Ela me olhou, com aquela mesma expressão pesarosa. Confesso que a primeira reação que eu tive foi a de que ela estava louca, que ela estava sendo muito dramática e que não era isso tudo, mas parece que ela leu meus pensamentos, pois me entregou meus exames e me mostrou ao lado de cada contagem as anotações dela, as diferenças entre o valor mínimo exigido para uma pessoa adulta saudável e as minhas eram absurdas, diferenças realmente exorbitantes e meu queixo caiu.

Em pouco tempo comecei a chorar, ela me consolou, disse que eu poderia melhorar que eu poderia trabalhar ainda, que meus padrões aceitáveis para ter uma boa saúde ainda me renderiam um corpo bonito, que eu ainda poderia ter alguns contratos assim.

Foi ali que começou a mudança, foi mais do que um processo de reeducação alimentar, foi mais do que apenas engordar um pouco e sair da zona crítica, foi uma mudança drástica no meu modo de pensar e ver o mundo, foi uma transformação total de vida como um todo.

Hoje eu estou bem, pratico exercícios, como de forma saudável e criei um modo de ajudar outras garotas como eu. Reuni algumas amigas que fizeram terapia comigo, que passaram pelo mesmo problema e juntas criamos nossa agência de modelos, nela nós temos uma equipe de preparação própria, fotógrafos e todo um convênio com médicos, nutricionistas e psicólogos para dar suporte. Na Natural Models o lema é saúde, já crescemos muito como agência, mas aos poucos estamos fechando contratos com marcas bacanas que tem a preocupação com a saúde, além de vários patrocínios, nossas modelos são todas muito lindas, com corpos reais, que conseguem bons trabalhos e que, cá entre nós, fotografam bem melhor que muita modelo esquelética por aí.

Eu acho que o mais importante dessa minha história é o conselho que eu sempre dou para as minhas modelos:

Nunca deixe que a sua saúde venha depois dos seus sonhos, é impossível usufruir dos nossos sonhos em um quarto de hospital, ou pior, em um cemitério. Sonho nenhum vale a sua vida. 

Portanto, viva e seja feliz, independente dos padrões impostos.




Oi pra você! Hoje vamos falar de Uma Noite de Crime (The Purge). Esse filme tem várias continuações e até uma série no amazon prime vídeo, mas hoje vou falar apenas do primeiro filme, então... Bora lá!
“Em 2022, as autoridades permitem que assassinatos e outros crimes sejam cometidos uma noite por ano. Nessa noite alguém bate a porta de James Sandin. (Netflix)”
Uma noite de Crime - (The Purge)


“Em 2022, os Estados Unidos vivenciam os menores índices de criminalidade e desemprego de sua história, tudo devido ao "Expurgo": um período anual de 12 horas no qual todo e qualquer crime é permitido, com pouquíssimas restrições, e os serviços emergenciais ficam suspensos. A premissa dos criadores da ideia é que isto é uma forma de os humanos liberarem seus instintos assassinos e transgressores, embora críticos afirmem que só os ricos conseguem ficar protegidos durante o período, enquanto que os pobres ficam entregues à própria sorte. (Wikipédia).”
Esse é o cenário do filme, os protagonistas são uma família comum de classe média alta, um vendedor de alarmes e sistemas de segurança James Sandin, sua esposa Mary, a filha adolescente Zoey e Charlie o filho caçula apaixonado por tecnologia. A família resolve trancar sua casa e aguardar até que a “noite de purificação” termine para que voltem a suas vidas, mas... Um homem aparece correndo e pedindo socorro e Charlie resolve abrir as portas de sua casa para acolhe-lo, o que ele não sabia era que o homem estava sendo perseguido por um grupo que leva a purificação a sério. O líder informa a família que caso não devolvam o homem para que possam matá-lo eles arrombarão a casa e matarão todos que estiverem lá como punição por sua interferência.
Então começa a noite da purificação, uma família apavorada, um grupo de pessoas sádicas e muitas cenas incríveis.

A palavra que define o filme é surreal, o enredo, as imagens, as caraterizações te remetem a um terror velado, você se vê roendo as unhas, levando sustos e se surpreendendo com algumas atitudes dos personagens, o filme segue um ritmo mais lento até passar um pouco da metade, mas a partir do momento que as primeiras cenas de ação começam o fim surge como um estalar de dedos. 

Com algumas reviravoltas realmente interessantes, você fica de boca aberta e quando pensa que as coisas estão se resolvendo, na verdade estão apenas tomando uma nova forma de medo e desespero.

O líder do grupo tem um grau de sadismo absurdo, ele enxerga matar como um ato de purificação, de expurgar os demônios dele e de quem ele mata, ele é incrível e muito bem construído, seus sorrisos afetados enquanto explica que irá arrombar a casa e matar a família, e seu jeito adorável de falar o tornam um prato cheio para quem gosta de assassinos mentalmente perturbados com perfil psicopata ou sociopata comum em muitos serial killers, mas ele não é o único perfil interessante, há alguns personagens com perfis assassinos mais passionais que também podem trazer boas experiências.

A família surpreende quando luta, eles tomam algumas atitudes que você enxerga muito perfeitamente o instinto de sobrevivência, lembra muito The Walking Dead, fazer aquilo que for preciso para sobreviver e salvar os seus.

O ritmo do roteiro é proporcional, começa com a passagem do tempo real e vai acelerando conforme desenvolve e no compasso vai te imergindo na história, tanto que você sente a adrenalina dos personagens. Tem efeitos interessantes em algumas cenas, como as pessoas passando pelos cômodos da casa com uma alegria desproporcional, o figurino fechou muito bem com a ideia, as mascaras com expressões grotescamente felizes e as roupas te remetem aos clássicos do terror te deixando tenso e desconfortável.

Notas:

Uma noite de Crime - (The Purge)

  • "Esse garoto tem que morrer!” é a frase que você repete quase o tempo todo, Charlie é um personagem que nós odiamos profundamente, o garoto tem um perfil completamente idiota sem medir absolutamente nada que faz, coloca todos em risco mais de uma vez e você se pega pensando “Matem ele por favor...”
  • A filha peca por causa dos hormônios, coloca a família em risco também por ser irresponsável, mas ela pelo menos faz alguma coisa útil e por isso decidimos perdoar ela (mas aquele garoto sem chance).
  • A família tem uma consciência muito pesada em tomar algumas decisões e isso te deixa meio “Se é loco mano, faz isso não”, pena que não adianta e você fica frustrado por isso.
  • Mary desenvolve bem, é uma mulher tranquila, mãe que não sabe nem segurar uma arma e isso te dá um ruim porque você não acredita que ela possa fazer algo interessante, mas ela consegue superar as expectativas e isso é muito bom. (Pena que o filho não puxou a ela no quesito superação)
  • Tem muitas cenas de mortes bem violentas, dá até desconforto de ver porque ficaram bem convincentes.


É isso gente, para ajudar os indecisos vale lembrar que é um filme particularmente violento, então passe longe se odeia ver sangue e mortes violentas, para ter um norte os personagens estão munidos de facões, machados e armas de fogo potentes, por exemplo.

Se você como eu gosta desse tipo de filme é uma ótima opção, basta sacar aquele cobertor confortável, uma pipoca caprichada e aproveitar!

Salto alto



Poc, poc, poc era o som dos meus sapatos no corredor do escritório logo cedo.

As pessoas me olhavam como se eu fosse uma daquelas mãos de ferro de coração gelado, a maioria morria de medo de mim, acho até que devia ter algum boato a boca pequena falando de coisas que achavam que eu tinha feito.

Na verdade não poderia culpá-los, há pouco mais de um ano demiti 12 funcionários em 3 meses e eu não demonstrei nenhum abalo em ser portadora das más notícias, acho que no fundo, pensavam que eu nem tinha um coração pulsando no peito.

Porém havia uma coisa que ninguém sabia de mim, eu tinha um coração e eu odiava salto alto!

Eu sonhei a vida inteira em ser artista plástica, usar tênis, viajar por lugares bonitos e pintar paisagens pitorescas, mas esse sonho foi tirado de mim aos 16  anos quando minha mãe me disse que isso era uma "idiotice" que deveria arrumar um emprego "de verdade" que pintar era profissão de vagabundo e eu lembro de ter chorado até dormir aquela noite com o coração partido por ter meus sonhos despedaçados.

Quando prestei vestibular fiz faculdade de economia e logo no primeiro ano consegui um estágio, me dediquei bastante e fui crescendo na empresa até ser a gerente da corretora que trabalhava, troquei aos poucos os sapatos confortáveis por esses saltos dolorosos, vesti uma máscara de expressão inabalável e me tornei a "dama coração gelado". 

Há um ano quando me deram a lista dos funcionários a serem demitidos meu coração parou, eram muitos e eu teria que chamar um a um e dizer que ficariam desempregados, em meio a crise que se desenvolvia. Alguns ficaram com raiva, explodiram em ofensas, outros ficaram calados, chocados demais para reagir e outros choraram e imploraram para que reconsiderasse tendo como resposta  meu rosto de desdém e um "Desculpe, mas isso não está mais em vias de ser discutido, por favor, pegue suas coisas e vá. Ligaremos quando precisar vir assinar os papéis." 

Se foi simples? Mas é claro que não, eu tenho um coração, mole demais eu diria, eu fiquei destruída de ter que dar aquela notícia a cada rosto que entrava na sala, eu chorei todas as noites durante aqueles meses de demissões, não apenas por ter demitido eles, mas porque eu odiava meu trabalho.

Era horrível acordar todas as manhãs, vestir aquelas roupas desconfortáveis, aqueles malditos sapatos e ser odiada por todos o tempo todo, não poder sorrir pra ninguém e o pior, não pitar mais, quanto mais eu me atolava no trabalho, menos eu pegava os meus pincéis, eu estava me perdendo e isso era desolador, eu nunca seria o que queria, e sempre seria odiada, era fria e profissional, como deveria ser e isso fazia de mim brilhante para os negócios e apagada para mim mesma.

A profissão me consumiu, eu sonhei tanta coisa e não realizei nada, minha carreira é digna de inveja, tenho uma gorda conta bancária, viajo para reuniões importantes em diversos lugares do mundo e me pagam por isso! Mas sou tão infeliz desse jeito...

Tudo que eu queria era pegar os meus pincéis e viajar o mundo, hoje viajo o mundo e não levo os pincéis, é deprimente.

Chego a minha mesa e o telefone toca, é uma amiga do colégio, nem sei ao certo como me encontrou, ela conta um pouco da sua vida e me faz a proposta mais inesperada do mundo. "Letícia, quer ser a artista de uma mostra na minha galeria? Lembro que você pintava muito bem e pensei, se não queria ceder alguns quadros seus para a exposição de novos talentos, que farei no próximo mês." Eu fiquei atônita, disse que há um tempo eu não pintava, só tinha alguns quadros guardados em meu escritório e ela disse que não havia problema, que eu deveria levar o que tivesse.

Pela primeira vez na vida cedi ao impulso sedutor de seguir os meus sonhos, marquei um horário e levei os quadros, ela os elogiou muito.

A mostra foi um sucesso, um professor da universidade comprou um deles e fez questão de conversar comigo, perguntou onde estudei, disse a ele que eu trabalhava em uma corretora da bolsa de valores, chocado ele me deu seu número e me ofereceu a oportunidade de fazer, mesmo que tardiamente a minha faculdade de arte.

Hoje estou na Espanha, estou de all star, uma camiseta e jeans sentada em uma praça de Madri com meu cavalete pintando uma fonte. Tenho 39 anos e sou professora da universidade, tenho um contrato com o ateliê da minha amiga, vendo meus quadros que estão ficando cada dia melhores, meu primeiro contracheque eu enviei para minha mãe com um bilhete escrito "Fique com este dinheiro, ganho com a minha profissão de vagabundo". Ela me ligou depois e pediu desculpas, meus ex colegas da bolsa, hoje percebem que eu tenho um coração afinal e admiram meus quadros, inclusive, já até vendi alguns para eles. 

Estou no topo do mundo, ainda não ganho o mesmo salário de quando era gerente, mas a alegria de fazer o que gosto cobre qualquer oferta de trabalho que já recebi.

Só posso dizer o quanto valeu a pena aquele breve impulso, como seguir meu sonho me completou e o quanto amo o que faço.

Siga seus sonhos também!